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Festival Pá na Pedra 2026 encerra edição histórica com recorde de público e catarse coletiva em Ribeirão das Neves

Com cerca de 3.000 pessoas na Arena Esplanada, o evento consolidou sua relevância cultural ao unir debate social, diversidade sonora e o rap contundente de Djonga.

O Festival Pá na Pedra 2026 chegou ao fim no último sábado, 9 de maio, deixando uma marca indelével na história cultural de Ribeirão das Neves. O que se viu na Arena Esplanada foi mais do que uma sucessão de shows; foi uma celebração da identidade mineira e da resistência periférica, culminando em uma apresentação histórica do rapper Djonga, que transformou o palco em um manifesto vivo contra o racismo. 


A jornada começou na sexta-feira (08/05) com o Climax, na Casa Semifusa. O espaço foi palco de discussões cruciais sobre desafios sociais e ambientais, reforçando que o Pá na Pedra não é apenas entretenimento, mas um território de formação. A noite de abertura contou com a sabedoria de Malu Tamietti sobre carreiras sustentáveis e um pocket show exclusivo da rapper Laura Sette, que já preparava o terreno para o que viria a seguir.


Sábado de Diversidade: O Som que Brota das Raízes


No sábado, a Arena Esplanada tornou-se o epicentro de uma mistura rítmica que cativou o público desde as primeiras horas. Confira os destaques que prepararam o clima para o grande encerramento:


  • Guilherme Barros: Representando a prata da casa, o artista trouxe sua sensibilidade conectada à juventude periférica. Com influências que vão de Jeff Buckley ao Clube da Esquina, Guilherme reafirmou por que é uma das grandes promessas de Neves.


  • Entalpia: Vindos de São Paulo, o grupo trouxe o seu "soul-brasilidade". Utilizando o conceito da termodinâmica para explicar sua variação de energia musical, a banda envolveu a plateia com texturas sonoras ricas e letras reflexivas.


  • Alessandra Crispin: A celebração do samba tomou conta do palco com o espetáculo "Buteco da Crispin". Comemorando 10 anos de seu primeiro álbum, a mineira de Juiz de Fora transformou a arena em um grande terreiro de resistência e memória.


  • Roça Nova: O "Caipigroove" da Zona da Mata mineira colocou todo mundo para dançar. Com seus chapéus de palha e uma fusão psicodélica de ritmos afro-latinos e música caipira, a banda provou sua experiência de grandes palcos nacionais.


A transição para o momento principal foi garantida pela energia da Batalha da Casa Semifusa, com os MCs Hyrochi e Gerê. Quem comandou a festa durante todo o evento, foi o nevense DJ Capone nas pickups.

Quando Djonga subiu ao palco, o sentimento era de unidade. Cerca de 3.000 pessoas entoaram em uníssono letras que denunciam as injustiças sociais e celebram a potência negra. O show atingiu o nível de catarse em clássicos como "O Mundo é Nosso" e o hino "Olho de Tigre".


Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a valorização dos talentos locais: Djonga dividiu o microfone com Laura Sette e o nevense Mn do trap, demonstrando a força da cena hip hop da região. Emocionado com a entrega da plateia, o rapper declarou em suas redes sociais que "Neves é a cidade da liberdade", selando uma conexão profunda com o público.


O Sentimento do Público


A atmosfera entre os presentes era de orgulho e pertencimento. Para muitos moradores, o Pá na Pedra 2026 representou a democratização do acesso à cultura de alta qualidade e o reconhecimento de Ribeirão das Neves como um polo produtor de arte. O recorde de público não é apenas um número, mas o reflexo de uma população que se viu representada no palco e nas pautas do festival.


O Festival Pá na Pedra se despede de 2026 reafirmando sua missão: unir o campo e a cidade, o debate e a festa, a memória e o futuro.





 
 
 

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